Chega




A capacidade para o erro e para a prepotência nesta terra é absolutamente surpreendente. Ontem, as instituições que trabalham e desenvolvem projectos de ENORME relevância cultural e cívica para o Funchal e para a Região e que estão instaladas num edifício pertencente ao Governo, na Travessa das Capuchinhas, Funchal, foram notificadas de que têm um mês para abandonar as instalações, que serão cedidas na totalidade à Cruz Vermelha (que, recorde-se, tem instalações a 100 metros, mais uma escola na zona da Achada, entre outro património).

Na notificação, assinada pela Secretária do Turismo, não se dá qualquer outra hipótese. Não se propõem alternativas.

A surpresa das associações é ainda maior porque não houve qualquer contacto anterior, não houve qualquer negociação.

Estamos a falar da Orquestra Clássica da Madeira, dos Xarabanda, da Presença Feminina, da tuna, do Coro de Câmara.

No caso dos Xarabanda, falamos de uma escola de música, frequentada por dezenas de miúdos, de um projecto de recolha de música tradicional da Madeira, de recolha do nosso património colectivo. De um projecto que se substitui ao desgraçado governo no papel de preservação e divulgação da nossa herança cultural. De um projecto que é um ponto de encontro.

É revoltante. É revelador da falta de sensibilidade para a cultura. Da falta de sensibilidade para as pessoas. Da falta de respeito por quem dedica a sua vida para fazer a nossa mais rica.

Eu proponho e disponibilizo-me desde já, para uma ação cívica de protesto e de repúdio. Basta de prepotência. Basta de arrogância. Chega!