Na América

Gosto do Fernando Tordo. Gosto de um tipo que canta bem e que canta bons poemas. Gosto de saber que o Fernando Tordo vai para o Brasil dirigir a programação de um teatro. Que não partiu de mala de cartão e de guitarra a tiracolo. Gosto de saber que o Fernando Tordo estará cá, a comemorar os 40 anos de Abril, daqui a uns dias.

Mas não gosto quando o Fernando Tordo culpa o país pelos seus desaires. É sempre o caminho mais fácil, culpar os outros, seja na figura de gente seja na figura de país. Difícil é procurarmos em nós o erro.

Ah, se fosse na América éramos todos ricos, magros e bonitos!

Lembrei-me agora daquilo que o Philipp Meyer escreveu sobre os seus compatriotas dos EUA, em Ferrugem Americana:

- Havia algo particularmente americano nisso - culparem-se a si próprios pela má sorte -, aquela resistência a ver a própria vida como podendo ser afectada pelas forças sociais, uma tendência para atribuir problemas mais vastos ao comportamento humano".

Será por isso que na América seríamos todos ricos (e magros e bonitos?)