Maior participação

Pela primeira vez na sua história, a Assembleia Municipal de Lisboa discutiu duas petições públicas. Curiosamente - pelo menos, para os mais desatentos - ambas focavam assuntos da área da Cultura. A primeira, com mais de 500 assinaturas, contestava a passagem da gestão de algumas bibliotecas municipais para as juntas de freguesia e teve como resultado a garantia de que os referidos espaços continuarão a trabalhar em rede com as restantes bibliotecas municipais e que os interesses dos utilizadores serão preservados, nomeadamente o acesso gratuito e os padrões de qualidade.

A segunda petição relacionava-se com o Cinema Londres, na Avenida de Roma, que estava prestes a transformar-se numa loja de produtos chineses, contra a vontade dos moradores do bairro e da associação de comerciantes. O documento motivou dois relatórios, aprovados por unanimidade, elaborados pelas comissões de Cultura e de Economia, nos quais se pode ler que "devem ser as entidades públicas responsáveis (freguesias, autarquia e estado) envolvidas no processo, de forma a promover a reabilitação e dinamização do espaço, enquanto pólo cultural, em parceria com promotores, movimentos de cidadãos, associações e sociedade civil".

Aos poucos, vai-se abrindo caminho para uma participação mais efectiva dos cidadãos na tomada de decisão política. No fundo, aquilo que todos queremos. (Bem, todos, todos talvez não....)