Optimismo versus realidade


Partilho a reflexão do arquitecto Rui Campos Matos, esperando, como ele, que não aconteça aquilo que é previsível que venha a acontecer. Eu sou um optimista, mas ultimamente o meu optimismo tem esbarrado com a realidade de forma, muitas vezes, penosa.

Rui Campos Matos: Segundo o DN, o Liceu Jaime Moniz, projectado no final dos anos 30 do séc. XX pelo arquitecto Edmundo Tavares (o arquitecto do Mercado dos Lavradores) vai sofrer «obras de renovação». As caixilharias de madeira «são muito boas mas tem 75 anos» e os azulejos não se podem substituir porque «já não se encontram iguais». Espera-se o pior (para não dizer o desastre, se tivermos em conta o tipo de «renovação» que tem sido levada a cabo nas escolas do Estado Novo).
Um edifício da qualidade do Liceu Jaime Moniz não se «renova», recupera-se. Caixilharias com 75 anos, «ainda boas», não se substituem por alumínio. Não se «renovam», recuperam-se. Azulejos que «já não se encontram iguais», não se deitam fora, procuram-se iguais. Quer isto dizer que o Liceu não se pode adaptar aos tempos que correm, não se pode ampliar? Claro que pode, mas é preciso que isso seja feito com critérios e por quem o saiba fazer. O nosso património é também o que de bom nos legou o século XX.