Gente que vai à bola


A maioria dos sul-americanos são mestiços, resultando das misturas entre brancos de diversas proveniências, negros e povos indígenas. Pois bem, ao assistir aos jogos do Campeonato do Mundo do Brasil nota-se que as equipas das diversas nações da América do Sul são, de alguma maneira, representativas das diferenças nos seus países. Uma minoria de atletas brancos, uma minoria de negros e uma imensa maioria de mestiços. É fácil perceber que isso está relacionado com as classes sociais que mais praticam o jogo, ou seja, o futebol é um desporto genuinamente popular, que atrai sobretudo gente das classes médias e baixas, quer enquanto praticante, quer enquanto adepto. Pois bem, é curioso observar o público que, no estádio, apoia as seleções referidas. Eu não hesito em dizer que 90% são brancos. Esta é a maior demonstração de duas coisas. Em primeiro lugar, dado os preços dos bilhetes e, no caso dos não brasileiros, das viagens e das estadias, só uma minoria rica tem possibilidade de ir aos estádios, e essa minoria continua a ser branca, pelo que este "mundial" mostra ao mundo, com crueza, as desigualdades que subsistem no continente. Em segundo lugar, as imagens de televisão do público são a demonstração cabal de quanto o futebol da FIFA se afastou das suas origens, remetendo as classes mais baixas para fora dos perímetros de segurança dos espaços onde se joga.